23 de abr de 2014

Lidando com o nosso corpo!



Eu sou gorda mais. Eu sou magra demais. Minha bunda tem tanta celulite que parece a cratera da lua. Meus seios estão caídos (ou são enormes, ou são minúsculos - isso vale também para o tamanho da bunda). E essas estrias? Nunca vou colocar um biquini! Minha pele está péssima. Minhas rugas estão aparecendo. Estou ficando velha. Meu cabelo está horrível. Minha barriga está enorme. Minhas coxas estão flácidas. Quantas vezes uma mulher já não se pegou falando alguma frase do gênero? Inúmeras, não é mesmo? E quantas vezes a gente pára na frente do espelho pra se elogiar ao invés de se depreciar? Poucas vezes - bem menos do que as vezes que reclamamos, com certeza. 

não adianta malhar, fazer plástica, ir no melhor cabeleireiro do universo. A gente , ir no melhor cabeleireiro do universo. A gente "conserta" algo que nos incomoda e logo acha outro "problema". E eu vejo meninas lindas e perfeitas (do meu ponto de vista) que vivem chorando as pitangas com seus defeitos imaginários. Vai entender! 

Pq é tão difícil a gente fazer uma reflexão inversa e descobrir o que temos de bom? Não, não falo de buscar nossas qualidades internas, não, falo de estética mesmo. Pq não há ninguém no mundo, NINGUÉM, que não tenha vários pontos positivos a serem ressaltados. Basta descobri-los. 
No meu trabalho com a dança, eu estou 24 horas em contato direto com um poderoso inimigo: nosso senso de auto-crítica. E como é complicado fazer um trabalho legal, se divertir em cena, se a gente tá sempre martelando e caçando defeitos, viu? Eu falo isso por experiência própria! Não é fácil subir no palco e arrasar, se segundos antes estamos encolhendo a barriga ou contando os furinhos de celulite pra ver se não apareceu mais uma! 

A mídia nos faz engolir à seco que a mulher só é bonita quando é magra, malhada, sem celulites, sem nenhum centímetro de gordura a mais no corpo, com a barriga mais reta que tábua de passar roupa, com o bumbum da Sheila Carvalho, com 400 ml de silicone ou mais (e duros como uma bola de boliche, of course!), sem estrias aparentes (ou ao menos devidamente photoshopadas, como nas fotos da Playboy), e com o cabelo que brilha mais que lantejoula na luz! E como eu já disse antes, tem muita mulher que, mesmo sendo tudo isso, ainda consegue ser insegura! Seria engraçado se tão fosse trágico! Oh, mundo cruel! Vamos parar de ver televisão e comprar Nova Cosmopolitan já! ^-^  

Mesmo sabendo que não é verdade, a gente acredita nisso tudo e se mata de tanto malhar, faz regimes mirabolantes, compra todos os cremes que prometem reduzir, enrijecer ou fazer qualquer outro milagre. Me incluo nesse time, não tô tirando o corpo fora, não! Atire a primeira pedra quem nunca fez um regime maluco (seja pra emagrecer ou para engordar!) ou comprou um creme carérrimo que prometia exterminar com todas celulites do mundo! 

A questão é: qual o botãozinho interno que temos que buscar para, mesmo sendo uma mulher real, longe dos estereótipos da mídia, aceitarmos que o nosso corpo pode ser  exposto sem neura? Não, não se iludam, a neura não vai deixar de existir, isso é fato. Eu já tentei abstrair, mas volta e meia ela me pega de jeito. Nosso exercício diário precisa mudar: ao invés de reclamar e reclamar e reclamar daquilo que não gostamos em nós mesmas, temos que nos olhar no espelho e descobrir onde guardamos as nossas maiores qualidades.

Nosso julgador mais cruel somos nós mesmos! A gente se dá conta de tanto defeito que ninguém nem imagina que exista. As vezes nem existe mesmo, né? É só nossa cabecinha pirada nos sabotando! Chega de tanta sabotagem, meninas! A gente já sabota o regime, já cabula a academia, já fica com preguiça e vai de carro na padaria pra não ter que andar 10 minutos... melhor parar por aí! 

O pior de tudo isso, de tanta cobrança, de tanto auto-sofrimento que a gente se impõe, é que muitas vezes deixamos de nos divertir! Conheço meninas que não vão à praia pra não usar biquini, que não usam saia curta pq vai aparecer a celulite, ou blusa regata pq o braço é gordo ou fino demais! Sim, pq eu falo pelas gordas pela parte que me toca, mas quantas meninas não sofrem pela ausência de recheio???  Gordas ou magras, no final das contas, acabamos nos deparando com mulheres lindas que são incapazes de aceitar que podem, sim, ser amadas e elogiadas, pq acham que por não serem iguais as belas das capas de revista, o mundo as odeia! 

Quando eu era criança, sofria com a família achando que eu era magra demais, cansei de tomar remédios pra engordar, gemada, biotônicos e outras coisas do gênero. Daí entrei na adolescência e a neura virou: desde que me lembro de ter subido numa balança, me sinto gorda. Mesmo quando eu não era realmente, eu já achava que era. Deixei de usar biquini, só usava camisetas largas pra esconder o corpo. Daí um dia, nem sei bem ao certo quando, eu desencanei... meti uma calça justa, uma blusinha decotada, arrumei o cabelão e disse pra mim mesma: dane-se, não vou deixar de me divertir, de usar as roupas que gosto, de comer em público (conheço pencas de gordinhas que não fazem isso pq se sentem sendo julgadas!), de dançar (sim, pq dançar também é coisa de gente magra, esqueceu????) por que os outros acham qualquer coisa... os outros são os outros e só!!! 



Portanto, meninas e meninos que possam estar aí se corroendo na neura, vamos nos permitir! Eu escrevi isso pra mim, em primeiro lugar. Minha auto-confiança é muito maior no palco do que fora dele, isso é fato. Mas eu tento arduamente, todos os dias, achar meus pontos positivos, gostar da minha ausência de bunda, achar minha celulite charmosa e acreditar que tem gente que nem nota a existência da minha barriga. Do contrário, eu não estaria  hoje fazendo o que faço, não é mesmo? E se vc acreditar que é linda, poderosa, confiar no seu taco, quem é que vai duvidar disso, hein? Tentem! Vale a pena!!! 

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